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26/10/2019

Limpar a casa


Quando eu era criança, lembro bem, às vezes eu fazia a besteira de entrar em casa com o calçado melado de lama. Resultado: carão de minha mãe ou mesmo de minha irmã. Mas às vezes acontecia isso também com meu pai ou com meus irmãos. Daí se vê como os homens são meio relaxados mesmo.
Mas o que quero dizer com isso? É que assim como nossos pais, sobretudo as mães, zelam pela limpeza integral da casa assim também todos nós em relação ao Brasil. O Brasil é a nossa grande, imensa casa. Consequentemente você e eu temos obrigação, não é favor não, obrigação de cuidar de nosso país.
Como falei na semana passada, temos uma imensa sujeira chamada agrotóxico. E essa sujeira é produzida por irmãos nossos que caíram no fascínio do dinheiro, no fascínio da riqueza. Para eles só dinheiro interessa; a vida dos outros irmãos é besteira. Podem adoecer, não tem problema. Alias o povão adoecer é mais lucro para eles que, às vezes são sócios de laboratórios ou donos de farmácias ou até mesmo donos de hospitais ou de empresas funerárias. Então para eles, agrotóxicos é uma benção provinda não sei de que tipo de divindade.
E nós? Onde ficamos? Só aguentando cacetada e mais cacetada de cabeça baixa e braços encolhidos? De jeito nenhum, gente!  Você, nós temos pleno direito de viver aquela vida plena que Deus nos deu e quer que a vivamos plenamente (cf. Dt 30,15ss; Jo 10,10).
Então eu convido a todo o povo brasileiro: vamos limpar nossa casa! Não é só limpar as praias do Nordeste não, é limpar o mar, a terra, e o ar. E mais ainda: limpar o nosso coração. É seguir a palavra do profeta Ezequiel 36,26s que diz: “Darei para vocês um coração novo, e colocarei um espírito novo dentro de vocês. Tirarei de vocês o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne.”
            Como vamos fazer então? É partir para só consumir, só comer produtos orgânicos, só consumir alimento produzido de maneira orgânica, isto é, produzido sem uso de agrotóxicos. Fazendo isso, os grandes produtores de alimentos envenenados vão perder a clientela, vão perder os compradores, vão perder dinheiro.   E é isso que eles não gostam: perder dinheiro.
Então vejam: a solução do problema está em nossas mãos: comprar e produzir alimentos orgânicos.
            E como fazer isso? Para este artigo não ficar muito grande, deixo para explicar na próxima semana.  
            Está bem?

11/10/2019

Falsa cultura mata


Impressionante se ver nesses nossos dias que o homem de hoje quanto mais cresce em cultura (sobretudo na técnica) mais se precipita numa burrice tamanha que leva à morte.
Verifiquemos, por exemplo, este fato: a produção de maquinas está cada vez mais sofisticadas e vai a cada dia mais provocando a substituição da mão de obra humana.   Os robôs fazem parte desse time. Máquina que trabalha por cem homens acaba botando 98 operários para fora do trabalho.
E agora? Sem trabalho vão esses homens viver de que? Como vão alimentar a família? Tornando-se candidatos naturais à violência ou à mendicância e até sofrimentos que acabam levando a pessoa ao desespero, à depressão, à morte.
            E aí eu pergunto: o que ganhou o empresário com isso? O que ganhou precipitando seus companheiros no desespero?
            E mais: um povo sem dinheiro pode comprar o produto que o tal empresário ganancioso produziu? É falta de lógica o cara querer só pra ele. Não dá mesmo. Ele vai morrer soterrado pelo grande volume do produto que fabricou sem os 100 homens e talvez, colha como prêmio de sua bravura um lamentável suicídio. É assim: na lógica do só querer ganhar pra si, o tiro sai pela culatra.
            A lógica de quanto mais se tem mais se quer não dá mesmo. É pura ganancia, ressupina burrice.
            O melhor mesmo é seguir a orientação da Bíblia: “Eu vim para que todos tenham vida (Jo 10,10)”. E “entre eles não havia necessitados” (At 2,42-47).
            Só se é feliz quando o outro também é feliz!    

31/08/2019

Mês da Bíblia


A Igreja Católica, no Brasil, determinou que o mês de setembro fosse dedicado à leitura e ao estudo mais aprofundado da Palavra de Deus escrita na Bíblia Sagrada. Inclusive ela sugere sempre um livro para ser estudado pelo povo durante o mês. Para este mês agora está indicado a Primeira Carta de São João.
A iniciativa do Episcopado é muito importante, pois é um modo de chamar a atenção dos fiéis católicos para a necessidade de estarmos sempre em contato com a palavra de Deus. Importante mesmo para os católicos, que são muito falhos neste ponto. Sim, pois, a imensa maioria dos católicos não costuma ler a Bíblia. Atribuo este fenômeno a uma atitude pedagógica falha que a Igreja adotou no passado com o Concílio de Trento, no tempo do surgimento do protestantismo no mundo. Os padres da época se contentaram em dizer ao povo: cuidado com as Bíblias falsas dos protestantes. Quando o certo seria ter levado ao povo um estudo sério da palavra de Deus; traduzido a Bíblia na linguagem do povo e o incentivo permanente para a leitura desta Palavra. Então por conta desse passo em falso por parte da Igreja, o povo começou a olhar a Bíblia com desconfiança ao ponto de muitas pessoas acharem que Bíblia é coisa de protestante e de padres.
Não, gente! A Bíblia é para toda a humanidade.
A Igreja Católica recebeu a responsabilidade de guardar e divulgar todo o patrimônio da fé, mas também a responsabilidade de levar ao povo este patrimônio, pois é por ele que nos vem a Salvação (cf. 2Tm 3,10-17; 4, 1-5).
E eu digo: Gente, vamos ler a Bíblia para aprender com ela a vivermos conforme a vontade de Deus! Faça dela aquilo que o salmista recomenda: “Tua palavra é lâmpada para meus pés, e luz para o meu caminho” (Sl 119, 105).
Sigamos conforme nos fala o livro de Deuteronômio 4,5-8: “Vede! Ensinei-vos leis e costumes como Javé, meu Deus, me ordenou, para que os pratiqueis na terra em que entrareis para possuí-la. Observai-os e cumpri-os, pois serão eles vossa sabedoria e vossa inteligência aos olhos dos povos, os quais, ao ouvirem falar de todas essas leis, dirão: ‘Essa grande nação é o único povo sábio e sensato!’ De fato, que grande nação existe, da qual a divindade tanto se aproxima, como está perto de nós Javé, nosso Deus, toda vez que o invocamos? Que grande nação possui leis e costumes como toda esta Lei que hoje vos proponho?”
É por aí, gente!

03/08/2019

Padre hoje

Recebi no whatsap da Ir. Fabiana, freira da Congregação da Imaculada Conceição, por sinal minha prima em terceiro grau, sugerindo-me  aproveitasse o mês de agosto para falar sobre as vocações que a própria igreja do Brasil propõe para a reflexão do nosso povo católico neste mês chamado vocacional. Aceitei a sugestão da Irmã.
            Comecemos então pela vocação sacerdotal. Ao realizar a salvação do mundo pela sua morte e ressurreição, Jesus fundou também a sua Igreja. Ela ficou responsável para passar a Salvação que Jesus conquistou para toda a humanidade. A Igreja forma aquilo que que são Pedro denomina povo sacerdotal (cf. 1Pd 2,9).
            E daí a teologia católica dividiu esse povo sacerdotal em duas formas de vida: o sacerdote leigo e o sacerdote ministerial. Ambos os setores do sacerdócio formam a Igreja que é a grande responsável pela santificação do mundo.
            O padre responde pelo setor de maior destaque: o setor do pastoreio e da sacramentalidade. Ou seja, o padre tem a responsabilidade de levar a humanidade à Palavra de Deus e os Sacramentos que é o canal por onde passa a graça de Deus. Sobre os leigos falarei depois.  
            Quando a Ir. Fabiana me sugeriu o tema das vocações citou aquilo que várias pessoas já me tem falado: o desgosto  de contarmos hoje com um clero ferido pela existência de tanta mediocridade espiritual e vulgaridade no comportamento na vida pratica do dia-a-dia. Eu concordo com a observação do povo ao lastimar a qualidade de seus pastores. Em muitos casos é vergonhoso mesmo.
            E aí muita gente que vive fora da Igreja (e mesmo pessoas de dentro da Igreja) mete a lenha levando de eito toda a realidade eclesial.
Então: como ter vocações se muitos padres empanam a grandeza sacerdotal? Como ter vocações se os padres não passam para a juventude uma formação religiosa completa e séria? A coisa é muito grave e merece outros momentos de reflexão.
Rezemos pela santificação dos nossos sacerdotes e pelas vocações sacerdotais. Jesus nos recomendou: “Por isso, pedi ao Senhor da messe que mande operários para sua messe”.(Mt 9,38).

06/07/2019

Conversão x Degressão

Conversando no consultório médico a respeito da problemática do mundo atual, citei a conversão a Jesus como a única solução para os problemas que trazem tanto desconforto à sociedade de hoje. No prosseguir da conversa minha oftalmologista falou: apesar do apelo de Jesus, o que percebemos nos dias atuais é a degressão ao invés da conversão. Concordei com a minha doutora e pensei comigo mesmo: é um grande desconforto tal constatação.
Pergunto a mim mesmo: meu Deus que foi que fiz durante meus 50 anos de trabalho na evangelização? Que tem feito a Igreja durante esses quinhentos anos de evangelização no Brasil? Por que o crescimento vertiginoso de seitas evangélicas e outros tipos de religiosidade tão esquisita? Isto não é algo para se pensar com seriedade? Penso que sim!
            Então na minha condição de padre proponho a meus irmãos padres e bispos rezar, meditar e perceber onde é que estamos falhando e retomar com mais garra e acerto metodológico nossa responsabilidade de pastores levando em conta, sobretudo, a orientação do Mestre: “ convertei-vos e crede no evangelho [...] sejam minhas testemunhas” (cf. Mt 4,17; Lc 24,48). Eu vos escolhi (cf. Jo 15,16).